domingo, 27 de dezembro de 2015

Aceite as limitações sem se conformar a elas

"Limitações podem ser admitidas sem exageros e sem sucubir a elas. Quando somos confiante quanto a maleabilidade de nossa mente, nossas quedas não parecem grande coisa. Elas são temporárias como as nuvens, e de maneira alguma diminuem o potencial de nossa mente. Com este tipo de confiança, os maiores desafios não nos farão perder nosso coração." 
[Pema Chodron]

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Coisas que não fazem mal (parte 3 de 6)

Exercitar nosso corpo. Sua resistência, sua aderência, sua consistência e seu dinamismo. Só assim podemos lutar pela nossa pluralidade e pela pluralidade do mundo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ancestralidade


Escrito após terminar de ler o livro “A coisa mais preciosa da vida” de Shundô Aoyama Rôshi.
Há uma passagem do livro Dao De Jing [Tao te king], de Laozi [Lao Tsé], em que se lê: “Raiz profunda, haste firme.”
Há varias maneiras de se interpretar isso. Aqui irei propor três maneiras — diferentes e complementares — que somam beleza às palavras de Laozi.
Uma mais literal, é que para uma haste — o caule de uma planta — ser firme, mais importante que a densidade da madeira, sua altura ou seu diâmetro, é a profundidade de sua raiz. É a profundidade da raiz que garante a firmeza do galho.
Uma outra maneira de se interpretar a frase, um pouco mais metafórica, é entender o galho como sendo a parte visível da vida; e a raiz sua parte invisível. Assim, em nossa vida, aquilo que é visível ao mundo se fortalece e se torna mais robusta na medida em que aprofundamos nossos atributos invisíveis — nossas raízes. 
Os outros nos julgam pelo que mostramos; entretanto, aquilo que mostramos está ancorado em nosso íntimo. Ou seja, aquilo que é visível aos outros depende do desenvolvimento daquilo que não é visível. Por exemplo, aquilo que os outros veem de nós depende não daquilo que nós nos esforçamos em mostrar, mas daquilo que nós nos esforçamos em desenvolver como qualidade interna — por exemplo, qualidades éticas e morais. 
Por isso que, muitas vezes, um filho reflete muito mais a intimidade de seus pais que suas aparências. 
Uma terceira maneira de se interpretar a passagem “raiz profunda, haste firme” é o tema principal que me levou a dividir essas palavras com vocês. Nós podemos entender essa frase como a “haste” sendo nossa própria vida; e como a "raiz" sendo nossa família, nossas heranças, hábitos e visões de mundo que recebemos no meio de nossa família.
Nesse sentido mais ampliado, nós somos apenas uma expressão de um organismo maior e anterior à nossa existência particular. Cada um de nós é apenas a decorrência de uma série de eventos que nos antecederam. Cada um de nós é apenas uma expressão possível — dentre as várias possíveis — de expressar os ideais que nos foram legados por nossa família e nossa ANCESTRALIDADE. (cada um de nossos irmão, primos, tios e tias, são outras maneiras possíveis)
Nossa ancestralidade, assim como nossa biografia, não são nossos destinos. Nossa família é nosso passado e, com certeza, cada um de nós, analisando bem e profundamente, podemos relacionar nossas escolhas como sendo respostas ou provocações a atitudes e situações impostas por nosso meio familiar. Nossas escolhas profissionais, nossas amizades, nossos relacionamentos amorosos. Nenhuma dessas esferas que compõe a maior parte de nossa vida está desvinculada dos valores e situações que nos foram legadas pela nossa família. Quer seja como admiração, quer seja como repúdio.
Consciente ou inconscientemente. Como apologia ou como desprezo. Por entre dores e prazeres. Nossa vida é uma resposta aos encaminhamentos que nossa família nos ofereceu. A partir das portas abertas pela nossa ancestralidade, exercitamos — bem ou mal — nossa capacidade de escolha. 
Abnegar nossas raízes e repudiar nossa ancestralidade significa negar a si mesmo uma haste firme e uma vida frondosa — sem raízes, não há sustentação.
Se recostar nos devires das raízes e se conformar com os caminhos subterrâneos, significa negar a manifestação da sua própria vida como caminho e continuação dessa raiz.
Assim, negar as raízes ou manter-se na inércia da raiz, levam, ambos os caminhos, à negação da manifestação de sua própria vida. 
Em outra passagem de Dao De Jing, Laozi escreve: “de cócoras não se avança; na ponta dos pés não se tem firmeza”. 
É preciso que cada um encontre conforto e motivação nas nossas raízes e em nossas ancestralidades. É preciso que cada um saiba olhar para seu passado (passado restrito) e para o passado de sua família (passado ampliado — ou ancestralidade), aprendendo a aceitar a responsabilidade de fazer novas escolhas, e abrir novos caminhos e novas perspectivas para os galhos e flores que ainda estão por vir — sem com isso abdicar daquilo que faz parte de nós: a família.